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Tragédia Grega L R$ 80,00

AntÍgona

Teatro Raul Cortez

Bela Vista - São Paulo - SP

Endereço

R. Dr. Plínio Barreto, 285
Bela Vista - São Paulo - SP

ver google maps

Compre pelo telefone de segunda a sábado das 11h às 19h

(11) 2626-5282

Temporada

Sexta e Sábado 21h | Domingo 17h

06 de Outubro a 05 de Novembro de 2017

Ingressos

R$ 80,00

Promoção Itaucard

50% de desconto para clientes Itaucard.

Promoção pessoal e intransferível para o titular do cartão na compra de um ingresso inteiro. Válido somente para 1 apresentação do espetáculo, mediante pagamento com cartões participantes da promoção.

Descontos

50% para pessoas de idade igual ou superior a 60 anos.
50% para estudantes.

Valores

R$ 80,00 inteira
R$ 40,00 meia

ANDREA BELTRÃO em
ANTÍGONA
Cada vez que um diretor monta uma peça, ele estará reescrevendo da
melhor maneira possível a peça que aquele autor escreveu.
No caso de uma obra-prima como Antígona, trata-se de uma viagem
vertiginosa até a raiz do mito e de lá uma volta palpitante até a peça e

seu autor. É isto que estamos fazendo com Sófocles e sua Antígona.
” Amir Haddad
Reescrever Sófocles.
Reescrever Antígona
Da peça ao mito.
Do mito à peça
Num eterno retorno.
ANTÍGONA
mor e razão, sangue e lei – os
opostos cortam o corpo ocidental
há séculos, como lanhos de
estoques de míseros presidiá-
rios. Somos carne pulsante, mas
raciocinante, prisioneiros sofridos de nossa
capacidade de civilização. Nossos algozes,
somos nós, vítimas de um eterno conflito.
Na tragédia grega, o conflito nascia do
embate cego entre os deuses e os homens
e do aparecimento da cidade-estado. A
autoridade nascente, racional, despojou
a família, renegou o poder da ordem patriarcal.
Hoje, somos órfãos dos deuses e,
ao menos em teoria, temos livre-arbítrio
– permanece o dilaceramento, porém, ele
nasce dramático, dentro de cada um, da
oposição direta entre emoção e ordem.
Este é o eixo central de Antígona, cartaz
em temporada curta no Poeirinha. Não perca
por nada deste mundo! O velho texto
apaixonante de Sófocles está repaginado,
em sintonia com o mundo moderno, obra
de Amir Haddad e Andrea Beltrão. O resultado
é inebriante e lúcido, para manter o
foco no jogo sugerido pelo debate teatral
da montagem. Corra para ver.
O feito é gerado por esta dupla chave –
emoção e pensamento, sempre.
Antígona: No Coração da Alma Ocidental
Ficha Técnica
A
Autoria: Sófocles
Tradução: Millôr Fernandes
Dramaturgia: Amir Haddad e Andrea Beltrão
Direção: Amir Haddad
Com: Andrea Beltrão
Iluminação: Aurélio de Simoni
Trilha Sonora: Alessandro Persan
Desenho de Som: Andrea Zení
Figurino: Antônio Medeiros
Direção de Movimento: Marina Salomon
Ambientação e Projeto Gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque (Cubículo)
Operação de luz: Vilmar Olos
Camareira: Conceição
Produção Executiva: Rosa Beltrão e Sergio Canizio
Produção: Boa Vida Produções
Realização Turnê nacional: Trigonos Produções Culturais
O embate entre os dois, intriga, emociona,
arrebata, constrange, inspira e nos exaure:
diante da plateia, Andrea Beltrão vibra na
expressão de raciocínios sublimes e expõe
de forma seca e cortante emoções
racionais. Um oposto aponta para o outro,
incorpora o outro, num fluxo incessante.
Informal, a atriz recebe o público e anuncia
a representação. Portanto, o ponto de
partida é um espelhamento do espectador,
o cidadão descontraído que vai ao teatro,
relação entre iguais. Logo ela se apresenta
como atriz, inicia a ação teatral e, entre a
narração dos fatos e a representação de cenas, personagens e circunstâncias, mimetiza
todas as nossas formas atuais de ser-em-estado-de-comunicação. É impressionante.
Ela nos conta com absoluta vertigem teatral a história de Antígona. E o ato de contar significa
apresentar a trama, mas também enumerar antecedentes históricos e mitológicos
básicos para que se tenha um esboço, bem ao nosso gosto contemporâneo, do mundo
de variantes envolvidas no caso. Ao longo do relato, ela encarna os grandes agentes da
ação. A vivência multifacetada deixa de ser o puro confronto com o trágico e se torna uma
percepção bem informada da força da tragédia.
A mesma ótica estrutura a movimentação da atriz em cena, das marcas ao jogo corporal.
Há um ritmo acelerado, permanente, de passagem da apresentação relaxada e espontânea
para posturas teatrais expressivas, escultóricas, emblemáticas, algumas representações
sutis de gestos gregos. A delicadeza da direção de movimento de Marina Salomon torna o
corpo plástico sem ofuscar a densidade das palavras.
Uma cenografia performática apoia a atua-
ção. Ela é constituída por um mural, genealógico
e mitológico, de apresentação das
forças envolvidas na tragédia de Antígona.
Há também uma cadeira escada, uma mesa
praticável, um pequeno amplificador para
o som com microfone, uma echarpe vermelha,
um casaco capaz de sugerir autoridade.
Através do manuseio destes meios
singelos, a atriz percorre uma extensa galeria
de papéis e, em especial, materializa a
força telúrica de Antígona.
O figurino, de Antônio Medeiros, segue a
mesma linha de concepção, entre o narrativo
e o performático – lembra roupas básicas
de ensaio, de ginástica, negras, neutras,
mas apresenta detalhes vermelhos aptos
para evocar o sangue e o despedaçamento.
Nos trajes, mais uma vez o jogo de opostos.

A rigor, a direção e a atuação, num diálogo
intenso, buscaram mergulhar na força vital
do texto para dimensionar o ímpeto de sua
imortalidade, mas diante de nosso mundo,
hoje. O velho aedo brota em cena, reencarnado
sob tons próprios ao ator, ao performer,
ao animador de auditório, ao locutor
de assembleias. Uma ousadia e uma irreverência,
sem dúvida.
A opção é cortante como um fio de navalha,
capaz de usar nosso arcabouço racional
para puncionar a nossa emoção, a
grande matéria-prima do ser humano que a
razão insiste em tentar sufocar. Assim, em
lugar de flertar com o trágico, nos vemos
gregos desterrados, cidadãos do nosso
mundo; somos lançados para uma outra
percepção de nós, ainda que estejamos
diante do texto grego.
Na parede do espaço teatral, cartazes
guiam a compreensão dos fatos intrincados
da mitologia. Lá fora, nas bancas de jornal,
nas telas, manchetes estampam impressionantes
relatos de massacres nas prisões
brasileiras, nas ruas, no mundo, nas guerras
hediondas de hoje. As letras, expressão racional,
desejam nos dar uma compreensão
apaziguadora de fatos assombrosos. Diante
deles, Antígona levantou a voz e o gesto
para impor a sua emoção.
O tempo passou. O que será mesmo o
progresso da razão humana ao longo do
tempo, a velha razão ordeira aclamada
pela cidade? – A montagem revolucionária
de Antígona nos pergunta. O que a nossa
emoção precisa fazer para mudar a razão
apodrecida do mundo? – A peça nos convida
a pensar. E talvez, quem sabe, até, a
tentar lutar, tentar fazer algo que nos leve
um tanto adiante do embate primordial,
nunca resolvido: levar o amor, a emoção, a
lanhar a razão, para liberar o sangue escravizado
pelo pensamento.
Tânia Brandão

*Sinopse sob total responsabilidade da produção do evento.

AntÍgona

Teatro Raul Cortez

Bela Vista - São Paulo - SP

ANDREA BELTRÃO em
ANTÍGONA
Cada vez que um diretor monta uma peça, ele estará reescrevendo da
melhor maneira possível a peça que aquele autor escreveu.
No caso de uma obra-prima como Antígona, trata-se de uma viagem
vertiginosa até a raiz do mito e de lá uma volta palpitante até a peça e

seu autor. É isto que estamos fazendo com Sófocles e sua Antígona.
” Amir Haddad
Reescrever Sófocles.
Reescrever Antígona
Da peça ao mito.
Do mito à peça
Num eterno retorno.
ANTÍGONA
mor e razão, sangue e lei – os
opostos cortam o corpo ocidental
há séculos, como lanhos de
estoques de míseros presidiá-
rios. Somos carne pulsante, mas
raciocinante, prisioneiros sofridos de nossa
capacidade de civilização. Nossos algozes,
somos nós, vítimas de um eterno conflito.
Na tragédia grega, o conflito nascia do
embate cego entre os deuses e os homens
e do aparecimento da cidade-estado. A
autoridade nascente, racional, despojou
a família, renegou o poder da ordem patriarcal.
Hoje, somos órfãos dos deuses e,
ao menos em teoria, temos livre-arbítrio
– permanece o dilaceramento, porém, ele
nasce dramático, dentro de cada um, da
oposição direta entre emoção e ordem.
Este é o eixo central de Antígona, cartaz
em temporada curta no Poeirinha. Não perca
por nada deste mundo! O velho texto
apaixonante de Sófocles está repaginado,
em sintonia com o mundo moderno, obra
de Amir Haddad e Andrea Beltrão. O resultado
é inebriante e lúcido, para manter o
foco no jogo sugerido pelo debate teatral
da montagem. Corra para ver.
O feito é gerado por esta dupla chave –
emoção e pensamento, sempre.
Antígona: No Coração da Alma Ocidental
Ficha Técnica
A
Autoria: Sófocles
Tradução: Millôr Fernandes
Dramaturgia: Amir Haddad e Andrea Beltrão
Direção: Amir Haddad
Com: Andrea Beltrão
Iluminação: Aurélio de Simoni
Trilha Sonora: Alessandro Persan
Desenho de Som: Andrea Zení
Figurino: Antônio Medeiros
Direção de Movimento: Marina Salomon
Ambientação e Projeto Gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque (Cubículo)
Operação de luz: Vilmar Olos
Camareira: Conceição
Produção Executiva: Rosa Beltrão e Sergio Canizio
Produção: Boa Vida Produções
Realização Turnê nacional: Trigonos Produções Culturais
O embate entre os dois, intriga, emociona,
arrebata, constrange, inspira e nos exaure:
diante da plateia, Andrea Beltrão vibra na
expressão de raciocínios sublimes e expõe
de forma seca e cortante emoções
racionais. Um oposto aponta para o outro,
incorpora o outro, num fluxo incessante.
Informal, a atriz recebe o público e anuncia
a representação. Portanto, o ponto de
partida é um espelhamento do espectador,
o cidadão descontraído que vai ao teatro,
relação entre iguais. Logo ela se apresenta
como atriz, inicia a ação teatral e, entre a
narração dos fatos e a representação de cenas, personagens e circunstâncias, mimetiza
todas as nossas formas atuais de ser-em-estado-de-comunicação. É impressionante.
Ela nos conta com absoluta vertigem teatral a história de Antígona. E o ato de contar significa
apresentar a trama, mas também enumerar antecedentes históricos e mitológicos
básicos para que se tenha um esboço, bem ao nosso gosto contemporâneo, do mundo
de variantes envolvidas no caso. Ao longo do relato, ela encarna os grandes agentes da
ação. A vivência multifacetada deixa de ser o puro confronto com o trágico e se torna uma
percepção bem informada da força da tragédia.
A mesma ótica estrutura a movimentação da atriz em cena, das marcas ao jogo corporal.
Há um ritmo acelerado, permanente, de passagem da apresentação relaxada e espontânea
para posturas teatrais expressivas, escultóricas, emblemáticas, algumas representações
sutis de gestos gregos. A delicadeza da direção de movimento de Marina Salomon torna o
corpo plástico sem ofuscar a densidade das palavras.
Uma cenografia performática apoia a atua-
ção. Ela é constituída por um mural, genealógico
e mitológico, de apresentação das
forças envolvidas na tragédia de Antígona.
Há também uma cadeira escada, uma mesa
praticável, um pequeno amplificador para
o som com microfone, uma echarpe vermelha,
um casaco capaz de sugerir autoridade.
Através do manuseio destes meios
singelos, a atriz percorre uma extensa galeria
de papéis e, em especial, materializa a
força telúrica de Antígona.
O figurino, de Antônio Medeiros, segue a
mesma linha de concepção, entre o narrativo
e o performático – lembra roupas básicas
de ensaio, de ginástica, negras, neutras,
mas apresenta detalhes vermelhos aptos
para evocar o sangue e o despedaçamento.
Nos trajes, mais uma vez o jogo de opostos.

A rigor, a direção e a atuação, num diálogo
intenso, buscaram mergulhar na força vital
do texto para dimensionar o ímpeto de sua
imortalidade, mas diante de nosso mundo,
hoje. O velho aedo brota em cena, reencarnado
sob tons próprios ao ator, ao performer,
ao animador de auditório, ao locutor
de assembleias. Uma ousadia e uma irreverência,
sem dúvida.
A opção é cortante como um fio de navalha,
capaz de usar nosso arcabouço racional
para puncionar a nossa emoção, a
grande matéria-prima do ser humano que a
razão insiste em tentar sufocar. Assim, em
lugar de flertar com o trágico, nos vemos
gregos desterrados, cidadãos do nosso
mundo; somos lançados para uma outra
percepção de nós, ainda que estejamos
diante do texto grego.
Na parede do espaço teatral, cartazes
guiam a compreensão dos fatos intrincados
da mitologia. Lá fora, nas bancas de jornal,
nas telas, manchetes estampam impressionantes
relatos de massacres nas prisões
brasileiras, nas ruas, no mundo, nas guerras
hediondas de hoje. As letras, expressão racional,
desejam nos dar uma compreensão
apaziguadora de fatos assombrosos. Diante
deles, Antígona levantou a voz e o gesto
para impor a sua emoção.
O tempo passou. O que será mesmo o
progresso da razão humana ao longo do
tempo, a velha razão ordeira aclamada
pela cidade? – A montagem revolucionária
de Antígona nos pergunta. O que a nossa
emoção precisa fazer para mudar a razão
apodrecida do mundo? – A peça nos convida
a pensar. E talvez, quem sabe, até, a
tentar lutar, tentar fazer algo que nos leve
um tanto adiante do embate primordial,
nunca resolvido: levar o amor, a emoção, a
lanhar a razão, para liberar o sangue escravizado
pelo pensamento.
Tânia Brandão