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Show 18 R$ 140,00 a R$ 1.800,00

Djavan
Vidas pra contar

Espaço EMES

Jardins - Aracaju - SE

Endereço

Rua Marcondes Ferraz, 225
Jardins - Aracaju - SE

ver google maps

Compre pelo telefone de segunda a sábado das 11h às 19h

(79) 3003 9176

Temporada

Sexta 22h

13 de Maio de 2016

Ingressos

R$ 140,00 a R$ 1.800,00

Descontos

50% ESTUDANTES
50% PESSOAS COM IDADE IGUAL OU SUPERIOR A 60 ANOS
50% ARTISTAS SINDICALIZADOS
50% PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO
50% PROMOCIONAL CINFORM
50% CLIENTES PORTO SEGURO
50% CLIENTES UNIMED

*A MEIA ENTRADA SERÁ APLICADA APENAS PARA OS SETORES CADEIRA VIP E PISTA.

Valores

PLATEIA
Mesa Diamante
R$ 1.000,00 (mesa para 04 pessoas)

Mesa Gold
R$ 800,00 (mesa para 04 pessoas)

Cadeira VIP
R$ 180,00 inteira
R$ 90 meia

PISTA
R$ 140,00 inteira
R$ 70,00 meia

MEZANINO
SETOR A
R$ 1.800,00 (mesa para 10 pessoas)

SETOR B
R$ 1.200,00 (mesa para 06 pessoas)

SETOR C
R$ 700,00 (mesa para 04 pessoas)

Espetáculo inédito traz canções do elogiado álbum “Vidas pra contar”, vigésimo terceiro álbum da carreira do artista, além de sucessos de sua discografia.


Um dos mais prolíficos compositores da música popular brasileira, Djavan volta à estrada em fevereiro com a turnê de lançamento de “Vidas pra contar”, vigésimo terceiro álbum de sua discografia. Além de canções do novo disco, aclamado pela imprensa especializada, o repertório do espetáculo inclui também sucessos do artista alagoano, que completou 40 anos de carreira em 2015, ano em que também foi agraciado com o Grammy Latino de excelência musical, em homenagem ao conjunto de sua obra.

Entre as canções confirmadas no roteiro estão “Não é um Bolero” e “Encontrar-te”, do último álbum, e as clássicas “Outono”, “Boa Noite” e “Eu te Devoro”. A série de apresentações se inicia em Juiz de Fora, no dia 27 de fevereiro, antes de percorrer cidades de todo o país, incluindo São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, entre outras (programação completa no serviço abaixo).

Acompanhado por Carlos Bala (bateria), Jessé Sadoc (flügelhorn, trompete e vocal), Marcelo Mariano (baixo e vocal), Marcelo Martins (flauta, saxofone e vocal), Paulo Calasans (teclados e piano) e João Castilho (guitarras, violões e vocal), o artista é quem assina a direção do espetáculo, que tem iluminação de Binho Schaefer e figurino de Roberta Stamato.

"Existe entre nós, eu e os músicos, um código musical que permite voos para todas as direções, e isto é uma coisa que me ajuda muito, uma vez que persigo sempre a diversidade. Eu acho que a diversidade me impõe a estar sempre correndo riscos, e eu preciso disso", conta o músico.

O cenário da turnê, concebido por Suzane Queiroz, foi desenhado a partir do conceito de que a vida de cada pessoa é um grande livro em branco que vai sendo preenchido linha por linha, página por página a cada alegria, a cada tristeza, a cada conquista, a cada novo amor que chega e que parte, ao longo do tempo.

O show se inicia em um espaço vazio inteiramente preto até que um grande livro se abre ao fundo, no centro do palco. Surgem então as primeiras páginas em branco, preenchidas por luzes coloridas e linhas verticais que pouco a pouco invadem o cenário, com escritos em espiral, círculos, grafismos poligonais e Art Nouveau.

Para mais informações sobre Djavan, acesse:
djavan.com.br
facebook.com/djavanoficial
instagram.com/djavanoficial
twitter.com/djavanoficial


Texto de Hugo Sukman sobre o álbum “Vidas pra contar”
Pode-se começar a audição de "Vidas pra contar" pulando a primeira faixa, assim, apenas como um exercício de análise. E vai-se encontrar um Djavan exercitando no limite o seu estilo consagrado. "Só pra ser o sol" é uma daquelas canções matadoras, de tocar no rádio a vida inteira (e sempre soando nova), de grudar no ouvido. Calcada na linha de baixo de Marcelo Mariano e com desenhos inusitados do naipe de sopros tocado por Jessé Sadoc (trompete) e Marcelo Martins (sax tenor), a canção logo conquista pela fluência melódica dentro de uma estrutura harmônica surpreendente, cheia de modulações. E pela letra, a poética de Djavan burilada como só ele faz, o uso de gírias ("uhu") em meio a imagens inusitadas (como a da moça revirando o armário): "Uhu, você disse que vinha e veio/Não acreditei/E cheguei a tremer/Pensei em você virando armário/Pra chegar em mim/Que bom! Te ver/Tão linda e desejada". ]

Agora pense na última vez que ouviu uma canção pop tão bem feita no sentido técnico, tão fácil de ouvir e mesmo assim tão diferente de tudo, como essa descrição do espanto do homem diante da beleza da mulher por quem está apaixonado.

Mas pode-se começar a audição, num outro exercício de análise, como deve ser, pela primeira faixa. E aí vai-se encontrar um Djavan diferente do esperado, exercitando-se num outro estilo, só na aparência menos pessoal. O xote "Vida nordestina" traz o compositor dialogando com uma das suas influências mais importantes embora das menos explícitas, Luiz Gonzaga. E a música tem a simplicidade de Gonzaga, com aquele tipo de melodia que parece ter sempre existido mas que foi criada solidamente por um compositor. "Vida nordestina" nasce assim, clássica, e com uma letra que Humberto Teixeira, sei não, até assinaria, sobretudo no paradoxo que propõe ao afirmar logo nos primeiros versos, "A vida não é de festa/Para o povo do sertão" e, alguns versos abaixo, poeticamente negar a própria afirmação: "Mas quando é dia de festa/Todo povo do sertão/Dança para aparar as arestas/Do coração/As moças já tão bonitas/Ficam lindas como quê/E o homem nem acredita/No que vê".

Agora pense na última vez que ouviu uma canção nordestina tão típica e ao mesmo tempo estranhamente original. Como aliás é a vida no sertão ou qualquer vida, original e sempre a mesma. Ou, como na letra de "Vida nordestina": "Até o lar onde falta o pão/Tem lá seus dias de alegria".

"Vidas pra contar", vigésimo terceiro disco de Djavan, conta vidas assim, reais mas sob o filtro da poesia, do espanto pelo detalhe. E revela um compositor tão maduro que consegue ser pessoal seja exercitando seu estilo consagrado, como em "Só pra ser o sol", seja experimentando outras linguagens, como em "Vidas pra contar".

Tal maturidade leva Djavan a exercer seu estilo tão marcante em gêneros diversos de música popular - lembrando que sua primeira educação musical foi, ainda menino em Maceió, na eclética coleção de discos do pai de um amigo de colégio e nos programas de auditório não menos ecléticos da Rádio Nacional, que ouvia com a mãe. Aliás, a canção autobiográfica "Dona do horizonte" narra exatamente essa relação de Djavan com a música a partir da influência da mãe que o fez ouvir Orlando Silva, "Dalva de Oliveira e Angela Maria/Todo dia...".
No passeio por estilos da música popular, "Ânsia de viver" é um samba sincopado típico de Djavan, que nos lembra ser ele autor de clássicos do gênero ("Flor-de-lis", "Fato consumado", etc.). "Não é um bolero" é um bolero estilizado na música e um bolero típico na letra que lamenta a ausência de amor: "Não é um bolero/É amor sincero/Que a tudo resiste/Não a ter ao lado/Me deixa abalado/E nada é mais triste/A vida é à toa/Não fica de boa/Quem não tem um querer". "Se não vira jazz" dialoga com o próprio jazz no peso da introdução instrumental, na forma livre de cantar (com direito a leves improvisos) e na complexidade harmônica, para uma letra que é o oposto do bolero, uma celebração do reencontro e do amor de verdade: "Viver é bom demais/Quando o amor está incluso/É um abuso de perfeição". Já "Vidas pra contar" é uma, ainda que originalíssima, canção de influência ibérica, com toques flamencos, lembrando essa importante herança deixada para a música brasileira, especialmente no Nordeste.

Se "O tal do amor" dialoga com as valsas francesas, e é leve na música para embalar uma letra levíssima ("Sorrir para mim/É quase um jardim/Onde pássaros voam"), "Encontrar-te" é uma daquelas densas baladas de amor com vocação para standard (senão ouçam a introdução do trompete de Jessé Sadoc, emulando as grandes canções de amor de Gershwin ou Jobim), enquanto "Primazia" situa-se num meio terno, é uma canção de amor, quase um fox-trot, leve como a valsa e densa como a balada. Juntas, as três canções formam uma curiosa trilogia que revela, ao cabo, a habilidade de Djavan em falar de amor nas diversas formas de canção, sendo sempre fiel ao seu estilo.

Outras duas canções de "Vidas pra contar" podem ser agrupadas num outro possível conjunto, um díptico em que o diálogo não se dá propriamente com gêneros tradicionais da música popular, mas com o próprio estilo de Djavan. "Aridez" é daquelas canções que prescindem de assinatura, na música acelerada, exuberante, inclassificável e na letra com aquela forma tão própria de Djavan em falar de amor: "Atravesso o deserto escuro/Pra fugir da solidão/Você que é meu farol/Não deixe eu me perder, não/É você quem há de me tirar/Dessa tremenda aridez". De sabor jazzístico, "Enguiçado" é uma observação crítica sobre o comportamento humano: "Tanto nego errado/Enguiçado/Dado a viver/Com a coisa errada/Inclinado a tudo ceder/Se bem combinado/Em qualquer lado pode estar".

A atordoante diversidade musical, que confirma a potencialidade criativa de Djavan, é transformada em linguagem musical pela banda que o acompanha e pelos arranjos do próprio compositor. Pode-se dizer que "Vidas pra contar" é um disco de Djavan e banda, o núcleo rítmico composto por piano (e teclados) de Paulo Calasans, baixo de Marcelo Mariano e bateria de Carlos Bala, além de violões e guitarras de João Castilho e do próprio Djavan e sopros de Jessé Sadoc e Marcelo Martins. Cantor, compositor, letrista, guitarrista e arranjador em todas as faixas, Djavan tem nessa banda de virtuoses a sua voz musical: uma voz que ao mesmo tempo esbanja estilo e por outro conversa com toda a tradição da música popular em que sua mãe o introduziu ainda na infância. Com cuidado e carinho de quem canta para a própria mãe (como confessa em "Dona do horizonte": "Cantava ali só para ela ouvir") é assim que Djavan parece cantar neste "Vidas pra contar".

*Sinopse sob total responsabilidade da produção do evento.

Show 18

Djavan Vidas pra contar

Espaço EMES

Jardins - Aracaju - SE

Espetáculo inédito traz canções do elogiado álbum “Vidas pra contar”, vigésimo terceiro álbum da carreira do artista, além de sucessos de sua discografia.


Um dos mais prolíficos compositores da música popular brasileira, Djavan volta à estrada em fevereiro com a turnê de lançamento de “Vidas pra contar”, vigésimo terceiro álbum de sua discografia. Além de canções do novo disco, aclamado pela imprensa especializada, o repertório do espetáculo inclui também sucessos do artista alagoano, que completou 40 anos de carreira em 2015, ano em que também foi agraciado com o Grammy Latino de excelência musical, em homenagem ao conjunto de sua obra.

Entre as canções confirmadas no roteiro estão “Não é um Bolero” e “Encontrar-te”, do último álbum, e as clássicas “Outono”, “Boa Noite” e “Eu te Devoro”. A série de apresentações se inicia em Juiz de Fora, no dia 27 de fevereiro, antes de percorrer cidades de todo o país, incluindo São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, entre outras (programação completa no serviço abaixo).

Acompanhado por Carlos Bala (bateria), Jessé Sadoc (flügelhorn, trompete e vocal), Marcelo Mariano (baixo e vocal), Marcelo Martins (flauta, saxofone e vocal), Paulo Calasans (teclados e piano) e João Castilho (guitarras, violões e vocal), o artista é quem assina a direção do espetáculo, que tem iluminação de Binho Schaefer e figurino de Roberta Stamato.

"Existe entre nós, eu e os músicos, um código musical que permite voos para todas as direções, e isto é uma coisa que me ajuda muito, uma vez que persigo sempre a diversidade. Eu acho que a diversidade me impõe a estar sempre correndo riscos, e eu preciso disso", conta o músico.

O cenário da turnê, concebido por Suzane Queiroz, foi desenhado a partir do conceito de que a vida de cada pessoa é um grande livro em branco que vai sendo preenchido linha por linha, página por página a cada alegria, a cada tristeza, a cada conquista, a cada novo amor que chega e que parte, ao longo do tempo.

O show se inicia em um espaço vazio inteiramente preto até que um grande livro se abre ao fundo, no centro do palco. Surgem então as primeiras páginas em branco, preenchidas por luzes coloridas e linhas verticais que pouco a pouco invadem o cenário, com escritos em espiral, círculos, grafismos poligonais e Art Nouveau.

Para mais informações sobre Djavan, acesse:
djavan.com.br
facebook.com/djavanoficial
instagram.com/djavanoficial
twitter.com/djavanoficial


Texto de Hugo Sukman sobre o álbum “Vidas pra contar”
Pode-se começar a audição de "Vidas pra contar" pulando a primeira faixa, assim, apenas como um exercício de análise. E vai-se encontrar um Djavan exercitando no limite o seu estilo consagrado. "Só pra ser o sol" é uma daquelas canções matadoras, de tocar no rádio a vida inteira (e sempre soando nova), de grudar no ouvido. Calcada na linha de baixo de Marcelo Mariano e com desenhos inusitados do naipe de sopros tocado por Jessé Sadoc (trompete) e Marcelo Martins (sax tenor), a canção logo conquista pela fluência melódica dentro de uma estrutura harmônica surpreendente, cheia de modulações. E pela letra, a poética de Djavan burilada como só ele faz, o uso de gírias ("uhu") em meio a imagens inusitadas (como a da moça revirando o armário): "Uhu, você disse que vinha e veio/Não acreditei/E cheguei a tremer/Pensei em você virando armário/Pra chegar em mim/Que bom! Te ver/Tão linda e desejada". ]

Agora pense na última vez que ouviu uma canção pop tão bem feita no sentido técnico, tão fácil de ouvir e mesmo assim tão diferente de tudo, como essa descrição do espanto do homem diante da beleza da mulher por quem está apaixonado.

Mas pode-se começar a audição, num outro exercício de análise, como deve ser, pela primeira faixa. E aí vai-se encontrar um Djavan diferente do esperado, exercitando-se num outro estilo, só na aparência menos pessoal. O xote "Vida nordestina" traz o compositor dialogando com uma das suas influências mais importantes embora das menos explícitas, Luiz Gonzaga. E a música tem a simplicidade de Gonzaga, com aquele tipo de melodia que parece ter sempre existido mas que foi criada solidamente por um compositor. "Vida nordestina" nasce assim, clássica, e com uma letra que Humberto Teixeira, sei não, até assinaria, sobretudo no paradoxo que propõe ao afirmar logo nos primeiros versos, "A vida não é de festa/Para o povo do sertão" e, alguns versos abaixo, poeticamente negar a própria afirmação: "Mas quando é dia de festa/Todo povo do sertão/Dança para aparar as arestas/Do coração/As moças já tão bonitas/Ficam lindas como quê/E o homem nem acredita/No que vê".

Agora pense na última vez que ouviu uma canção nordestina tão típica e ao mesmo tempo estranhamente original. Como aliás é a vida no sertão ou qualquer vida, original e sempre a mesma. Ou, como na letra de "Vida nordestina": "Até o lar onde falta o pão/Tem lá seus dias de alegria".

"Vidas pra contar", vigésimo terceiro disco de Djavan, conta vidas assim, reais mas sob o filtro da poesia, do espanto pelo detalhe. E revela um compositor tão maduro que consegue ser pessoal seja exercitando seu estilo consagrado, como em "Só pra ser o sol", seja experimentando outras linguagens, como em "Vidas pra contar".

Tal maturidade leva Djavan a exercer seu estilo tão marcante em gêneros diversos de música popular - lembrando que sua primeira educação musical foi, ainda menino em Maceió, na eclética coleção de discos do pai de um amigo de colégio e nos programas de auditório não menos ecléticos da Rádio Nacional, que ouvia com a mãe. Aliás, a canção autobiográfica "Dona do horizonte" narra exatamente essa relação de Djavan com a música a partir da influência da mãe que o fez ouvir Orlando Silva, "Dalva de Oliveira e Angela Maria/Todo dia...".
No passeio por estilos da música popular, "Ânsia de viver" é um samba sincopado típico de Djavan, que nos lembra ser ele autor de clássicos do gênero ("Flor-de-lis", "Fato consumado", etc.). "Não é um bolero" é um bolero estilizado na música e um bolero típico na letra que lamenta a ausência de amor: "Não é um bolero/É amor sincero/Que a tudo resiste/Não a ter ao lado/Me deixa abalado/E nada é mais triste/A vida é à toa/Não fica de boa/Quem não tem um querer". "Se não vira jazz" dialoga com o próprio jazz no peso da introdução instrumental, na forma livre de cantar (com direito a leves improvisos) e na complexidade harmônica, para uma letra que é o oposto do bolero, uma celebração do reencontro e do amor de verdade: "Viver é bom demais/Quando o amor está incluso/É um abuso de perfeição". Já "Vidas pra contar" é uma, ainda que originalíssima, canção de influência ibérica, com toques flamencos, lembrando essa importante herança deixada para a música brasileira, especialmente no Nordeste.

Se "O tal do amor" dialoga com as valsas francesas, e é leve na música para embalar uma letra levíssima ("Sorrir para mim/É quase um jardim/Onde pássaros voam"), "Encontrar-te" é uma daquelas densas baladas de amor com vocação para standard (senão ouçam a introdução do trompete de Jessé Sadoc, emulando as grandes canções de amor de Gershwin ou Jobim), enquanto "Primazia" situa-se num meio terno, é uma canção de amor, quase um fox-trot, leve como a valsa e densa como a balada. Juntas, as três canções formam uma curiosa trilogia que revela, ao cabo, a habilidade de Djavan em falar de amor nas diversas formas de canção, sendo sempre fiel ao seu estilo.

Outras duas canções de "Vidas pra contar" podem ser agrupadas num outro possível conjunto, um díptico em que o diálogo não se dá propriamente com gêneros tradicionais da música popular, mas com o próprio estilo de Djavan. "Aridez" é daquelas canções que prescindem de assinatura, na música acelerada, exuberante, inclassificável e na letra com aquela forma tão própria de Djavan em falar de amor: "Atravesso o deserto escuro/Pra fugir da solidão/Você que é meu farol/Não deixe eu me perder, não/É você quem há de me tirar/Dessa tremenda aridez". De sabor jazzístico, "Enguiçado" é uma observação crítica sobre o comportamento humano: "Tanto nego errado/Enguiçado/Dado a viver/Com a coisa errada/Inclinado a tudo ceder/Se bem combinado/Em qualquer lado pode estar".

A atordoante diversidade musical, que confirma a potencialidade criativa de Djavan, é transformada em linguagem musical pela banda que o acompanha e pelos arranjos do próprio compositor. Pode-se dizer que "Vidas pra contar" é um disco de Djavan e banda, o núcleo rítmico composto por piano (e teclados) de Paulo Calasans, baixo de Marcelo Mariano e bateria de Carlos Bala, além de violões e guitarras de João Castilho e do próprio Djavan e sopros de Jessé Sadoc e Marcelo Martins. Cantor, compositor, letrista, guitarrista e arranjador em todas as faixas, Djavan tem nessa banda de virtuoses a sua voz musical: uma voz que ao mesmo tempo esbanja estilo e por outro conversa com toda a tradição da música popular em que sua mãe o introduziu ainda na infância. Com cuidado e carinho de quem canta para a própria mãe (como confessa em "Dona do horizonte": "Cantava ali só para ela ouvir") é assim que Djavan parece cantar neste "Vidas pra contar".