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Show L 70 min R$ 80,00 a R$ 160,00

João Bosco

Endereço

R. da Bahia, 2244
Lourdes - Belo Horizonte - MG

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Compre pelo telefone de segunda a sábado das 11h às 19h

(31) 2626-1015

Temporada

Sábado 21h00

09 de Dezembro de 2017

Ingressos

R$ 80,00 a R$ 160,00

Descontos

50% para pessoas de idade igual ou superior a 60 anos.
50% para estudantes.

"Desde a sua estreia, sob a benção jobiniana, num disco compacto que tinha ""Agnus sei"" de um lado e ""Águas de março"" de outro, João Bosco está completando 40 anos de carreira. Como no poema de Drummond, pode-se dizer que ele atinge a marca na seguinte situação: ""Quarenta anos e nenhum problema/ resolvido"". Mas muitos problemas colocados, com originalidade e mestria. São esses problemas musicais que ele reúne e aprofunda neses cd e dvd que lança em comemoração à efeméride. Para começar por um de seus traços fundamentais, João Bosco é a um tempo homem-música e homem-canção. Essa tensão entre a canção (relação irredutível entre melodia e letra) e a música (tudo o que excede essa relação) atravessa a sua obra, se manifestando com muita força após a interrupção da parceria com Aldir Blanc. Em seu último disco, Não vou pro céu, mas já não vivo no chão, João Bosco realizara um rigoroso trabalho de reduzir essa tensão à canção pura: sem ornamentos, com canto despojado, só o osso.
Agora, como a ocasião é de revisar toda a obra, apreendendo os seus sentidos principais, as duas lógicas coabitam o espaço. Ouçamos faixas como ""Tarde"", ""Trem bala"", ""Tanajura"", ""Lilia"", ""Bodas de prata""; aí a canção é invadida e alargada por dentro, por meio da exuberância musical de músicos da categoria de um Toninho Horta, de um Cristóvão Bastos, de um Ricardo Silveira. A música integra a canção, mas a excede. Hoje, quando se fala na ""canção expandida"" de bandas como Los Hermanos e Radiohead, é preciso lembrar que a tensão entre música e canção existe na música popular brasileira há muito tempo: de formas diferentes, praticam-na nomes como Johnny Alf, Tom Jobim, Guinga, Milton Nascimento e João Bosco.
Ouçamos, por outro lado, faixas como ""Pra que mentir"", ""Tudo se transformou"", ""Eu não sei seu nome inteiro"". Nessas é o homem-canção quem assume o proscênio, o João Bosco autor e intérprete de inúmeros sucessos redondos, exatos, sem tirar nem pôr.
Como os nossos tempos de mashups e cut and paste têm enfatizado, nenhuma criação se faz a sós, por si só. Assim, os 40 anos de carreira de João Bosco são os 40 anos de diálogo de sua obra com mestres da tradição e, principalmente, da sua geração. O presente trabalho é também uma leitura pessoal dessa moderna época de ouro da música brasileira que são os anos 50/60/70. Estão presentes a densidade divina de Milton Nascimento (em ""Lilia"" e ""Tarde""), o samba meditativo de Paulinho da Viola (""Tudo se transformou""), a bossa eterna do maestro soberano Tom Jobim (""Ligia"" e ""Fotografia""), o balanço caribenho incomparável de João Donato (""Eu não sei seu nome inteiro"" e ""Drume negrita""), o Chico Buarque herdeiro direto dos sambas simples dos anos 30 (""Bom tempo""). Daí a abertura inusual dos trabalhos, com a voz de Milton Nascimento em ""Agnus sei"". ""Agnus sei"" é o começo de tudo, mas Milton é o que está no começo do começo, é o que torna o começo possível.
Numa confluência complexa de vários tempos, a cervical da história do samba também é evocada, numa bela leitura de ""Pra que mentir"", de Noel e Vadico. E o futuro se projeta - evoé jovens artistas - no dueto com a voz límpida de Robeta Sá em ""De frente pro crime"". Grandes artistas formulam grandes problemas: em João Bosco, o outro se torna o mais próprio, o passado se revela o futuro: clássicos como ""Fotografia"" e ""Drume negrita"" recebem interpretações altamente criativas, e seu próprio passado musical emerge outro e novo de suas mãos, como mostram os arranjos de ""Plataforma"", na companhia luxuosa das cordas do Trio Madeira, e ""Bodas de prata"", percorrida pelo pensamento musical de Toninho Horta. Dessa capacidade de reformulação radical, João Bosco já havia dado provas no disco Dá licença, meu senhor, de 1996.
Da perspectiva da geografia - ou dos gêneros, se preferirmos -, os 40 anos da obra de João Bosco também se acham aqui muito bem representados. O mineiro mais carioca da música popular é talvez o único que pode cantar, que pode ser ao mesmo tempo a densidade barroca das Gerais e a superfície escorregadia do Estácio. Uma e outra marcam forte presença nesse trabalho. A alma barroca inaugura o disco, com ""Agnus sei"". O samba carioca o perpassa, com ""O mestre sala dos mares"" (cantado em duo com Chico Buarque, que retribui a visita de João Bosco a seu último disco), ""De frente pro crime"" (com Roberta Sá, como já disse), entre outras. O bolero latinoamericano, que fez os ouvidos da geração formada nos anos 40/50, também comparece no clássico bolero-acalanto de Bola de Nieve, ""Drume negrita"". A negritude de boca cheia está em ""Da África a Sapucaí"", grande e pouco conhecido samba da dupla Bosco/Blanc. E os trabalhos se despedem com ""Bom tempo"", no duo de João Bosco e Chico Buarque que nos faz lembrar que a canção popular tem um compromisso com a alegria, com a leveza, com a esperança. Como nada em João Bosco é ingênuo, o arranjo é também uma evocação de João Gilberto, com seu crescendo sutil de percussões; e sente-se ainda as presenças gigantescas de Caymmi, na simplicidade de tudo, e de Ary Barroso, no piano de Cristóvão Bastos. Por trás de uma geração, a outra. Aquela explicitada, essa citada.
Em suma, 40 anos e nenhum problema resolvido. Mas muitos brilhantemente formulados."

*Sinopse sob total responsabilidade da produção do evento.

Show L 70 min

João Bosco

Teatro Bradesco BH

Lourdes - Belo Horizonte - MG

"Desde a sua estreia, sob a benção jobiniana, num disco compacto que tinha ""Agnus sei"" de um lado e ""Águas de março"" de outro, João Bosco está completando 40 anos de carreira. Como no poema de Drummond, pode-se dizer que ele atinge a marca na seguinte situação: ""Quarenta anos e nenhum problema/ resolvido"". Mas muitos problemas colocados, com originalidade e mestria. São esses problemas musicais que ele reúne e aprofunda neses cd e dvd que lança em comemoração à efeméride. Para começar por um de seus traços fundamentais, João Bosco é a um tempo homem-música e homem-canção. Essa tensão entre a canção (relação irredutível entre melodia e letra) e a música (tudo o que excede essa relação) atravessa a sua obra, se manifestando com muita força após a interrupção da parceria com Aldir Blanc. Em seu último disco, Não vou pro céu, mas já não vivo no chão, João Bosco realizara um rigoroso trabalho de reduzir essa tensão à canção pura: sem ornamentos, com canto despojado, só o osso.
Agora, como a ocasião é de revisar toda a obra, apreendendo os seus sentidos principais, as duas lógicas coabitam o espaço. Ouçamos faixas como ""Tarde"", ""Trem bala"", ""Tanajura"", ""Lilia"", ""Bodas de prata""; aí a canção é invadida e alargada por dentro, por meio da exuberância musical de músicos da categoria de um Toninho Horta, de um Cristóvão Bastos, de um Ricardo Silveira. A música integra a canção, mas a excede. Hoje, quando se fala na ""canção expandida"" de bandas como Los Hermanos e Radiohead, é preciso lembrar que a tensão entre música e canção existe na música popular brasileira há muito tempo: de formas diferentes, praticam-na nomes como Johnny Alf, Tom Jobim, Guinga, Milton Nascimento e João Bosco.
Ouçamos, por outro lado, faixas como ""Pra que mentir"", ""Tudo se transformou"", ""Eu não sei seu nome inteiro"". Nessas é o homem-canção quem assume o proscênio, o João Bosco autor e intérprete de inúmeros sucessos redondos, exatos, sem tirar nem pôr.
Como os nossos tempos de mashups e cut and paste têm enfatizado, nenhuma criação se faz a sós, por si só. Assim, os 40 anos de carreira de João Bosco são os 40 anos de diálogo de sua obra com mestres da tradição e, principalmente, da sua geração. O presente trabalho é também uma leitura pessoal dessa moderna época de ouro da música brasileira que são os anos 50/60/70. Estão presentes a densidade divina de Milton Nascimento (em ""Lilia"" e ""Tarde""), o samba meditativo de Paulinho da Viola (""Tudo se transformou""), a bossa eterna do maestro soberano Tom Jobim (""Ligia"" e ""Fotografia""), o balanço caribenho incomparável de João Donato (""Eu não sei seu nome inteiro"" e ""Drume negrita""), o Chico Buarque herdeiro direto dos sambas simples dos anos 30 (""Bom tempo""). Daí a abertura inusual dos trabalhos, com a voz de Milton Nascimento em ""Agnus sei"". ""Agnus sei"" é o começo de tudo, mas Milton é o que está no começo do começo, é o que torna o começo possível.
Numa confluência complexa de vários tempos, a cervical da história do samba também é evocada, numa bela leitura de ""Pra que mentir"", de Noel e Vadico. E o futuro se projeta - evoé jovens artistas - no dueto com a voz límpida de Robeta Sá em ""De frente pro crime"". Grandes artistas formulam grandes problemas: em João Bosco, o outro se torna o mais próprio, o passado se revela o futuro: clássicos como ""Fotografia"" e ""Drume negrita"" recebem interpretações altamente criativas, e seu próprio passado musical emerge outro e novo de suas mãos, como mostram os arranjos de ""Plataforma"", na companhia luxuosa das cordas do Trio Madeira, e ""Bodas de prata"", percorrida pelo pensamento musical de Toninho Horta. Dessa capacidade de reformulação radical, João Bosco já havia dado provas no disco Dá licença, meu senhor, de 1996.
Da perspectiva da geografia - ou dos gêneros, se preferirmos -, os 40 anos da obra de João Bosco também se acham aqui muito bem representados. O mineiro mais carioca da música popular é talvez o único que pode cantar, que pode ser ao mesmo tempo a densidade barroca das Gerais e a superfície escorregadia do Estácio. Uma e outra marcam forte presença nesse trabalho. A alma barroca inaugura o disco, com ""Agnus sei"". O samba carioca o perpassa, com ""O mestre sala dos mares"" (cantado em duo com Chico Buarque, que retribui a visita de João Bosco a seu último disco), ""De frente pro crime"" (com Roberta Sá, como já disse), entre outras. O bolero latinoamericano, que fez os ouvidos da geração formada nos anos 40/50, também comparece no clássico bolero-acalanto de Bola de Nieve, ""Drume negrita"". A negritude de boca cheia está em ""Da África a Sapucaí"", grande e pouco conhecido samba da dupla Bosco/Blanc. E os trabalhos se despedem com ""Bom tempo"", no duo de João Bosco e Chico Buarque que nos faz lembrar que a canção popular tem um compromisso com a alegria, com a leveza, com a esperança. Como nada em João Bosco é ingênuo, o arranjo é também uma evocação de João Gilberto, com seu crescendo sutil de percussões; e sente-se ainda as presenças gigantescas de Caymmi, na simplicidade de tudo, e de Ary Barroso, no piano de Cristóvão Bastos. Por trás de uma geração, a outra. Aquela explicitada, essa citada.
Em suma, 40 anos e nenhum problema resolvido. Mas muitos brilhantemente formulados."